O Mapa · uso seguro de IA na prática clínica

Dá pra usar pra tudo?

O chat aberto numa aba, o scribe que escuta a consulta, o assistente dentro do prontuário: as ferramentas já entraram no consultório, e o uso cresceu mais rápido que a nossa capacidade de avaliá-lo. A resposta muda de tarefa para tarefa, e é isso que este mapa mostra.

Médicos que já usam IA no trabalho · AMA, 202610%
Melhor modelo em tarefa clínica real · BRIDGE, 202620%

Os mesmos modelos passam de 90 em prova de conhecimento2. Prova não é plantão.

O mapa

Uma tarefa, um papel seguro da IA

Cada card abre a página daquela tarefa. No desktop, o mouse por cima adianta onde o modelo falha antes de você entrar. Reordene por delegação e veja a resposta da pergunta lá de cima se formar sozinha.

fundação rascunho delegável · revisão obrigatória copiloto · verificação dirigida decisão · não delegável fora do espectro Autoridade final: sempre sua.

Setup da ferramenta

Dez minutos que protegem todas as tarefas seguintes.

fundação
Fundação

Ambiente errado, e o resto do mapa não se sustenta: contrato define destino do dado.

Summarização de prontuário

Comprime meses de registro em minutos de leitura.

copiloto
Omissão

A omissão é invisível: você não sente falta do que não vê.

Interpretação de exames

Organiza o painel e responde à pergunta do pedido.

copiloto
Costura de achados

Sem a pergunta clínica, tece tudo numa narrativa e transforma consulta em rastreio.

Transcrição de anamnese

Escuta a consulta e devolve o seu olhar ao paciente.

rascunho
Fabricação

Documenta o que ninguém disse e exame que não aconteceu. A assinatura é sua.

Diagnóstico e hipóteses

Amplia o diferencial e testa a sua hipótese.

copiloto
Deferência

Concorda com a sua âncora em vez de desafiá-la, e cede sob pressão.

Cálculos e escores

Arma o escore e interpreta o resultado.

copiloto
Critério inferido

O erro entra antes da conta, no critério preenchido por inferência.

Guideline retrieval

Localiza a recomendação e o trecho em segundos.

copiloto
Fonte substituta

Devolve o que fala sobre a diretriz com a autoridade da diretriz.

Plano terapêutico

Organiza opções e trade-offs para a sua decisão.

decisão
Paciente médio

Calibrado para o típico da literatura, cego para custo, acesso e rotina.

Reconciliação medicamentosa

Cruza listas e aponta interações para você checar.

copiloto
Fabricação

Dose plausível errada não grita. É o card aberto nesta maquete.

Limites: imagem e traçado

O ponto final do espectro, e o que o torna crível.

fora do espectro
Sem via de verificação

O que não se verifica não se delega: se encaminha.

Carta de encaminhamento

Estrutura o rascunho que viaja até o colega.

rascunho
Detalhe inventado

Passa fácil dentro de um texto formal bem escrito.

Educação em saúde

Traduz a sua conduta para a linguagem do paciente.

rascunho
Red flag que some

O texto que tranquiliza otimiza o tom e come o sinal de alarme.

Atestados e relatórios

Rascunha o documento que sai do sigilo.

rascunho
Conta demais

Escreve para quem pergunta, não para quem vai ler.

maquete: só Reconciliação abre · no site, cada card é uma página própria

No site, este clique abre a página do card. No protótipo, só o de Reconciliação está construído.
Fontes desta página
  1. [relatório] American Medical Association. Augmented Intelligence Research survey, 2026. link oficial e "verificado em" a preencher na publicação
  2. [artigo] BRIDGE: benchmarking large language models for understanding real-world clinical practice texts. Nature Biomedical Engineering, 2026. doi.org/10.1038/s41551-026-01719-2

Para ir além · Menlo Ventures, The State of AI in Healthcare (2025): adoção de ambient scribes estimada em ~35% em grandes sistemas dos EUA. Relatório de indústria, útil para dimensionar adoção; não sustenta afirmação clínica.

/mapa/reconciliacao-medicamentosa
Decisão clínica · card 09 de 13
copiloto · verificação dirigida

Reconciliação medicamentosa

O card das transições. É onde o erro pequeno tem o custo mais direto do mapa, porque dose plausível errada não grita: ela chega vestindo o uniforme da rotina.

O caso Mulher, 72 anos, fibrilação atrial, TFG 38, recebendo alta hoje: a prescrição adiciona amiodarona 200 mg/dia. Em casa ela usa apixabana 5 mg 12/12h, metformina 850 mg 12/12h, losartana 100 mg/dia, sinvastatina 40 mg/noite e omeprazol 20 mg/dia. A lista final precisa estar fechada, e assinada por você, antes de ela ir embora.
Cruzar as listasDelegável com revisão
Apontar interaçõesCopiloto
Conferir dosesVerificação sua
PrescreverNão delegável
01 · O que ela faz bem, e o que não faz
Faz bem

Cruzar a lista domiciliar com a prescrição nova, levantar as interações candidatas da mudança, apontar duplicidades e organizar o que precisa de checagem. Transforma vinte minutos de conferência cega em cinco de conferência dirigida.

Não faz

Descobrir o que a paciente realmente toma. A lista verdadeira nasce da entrevista e da sacola de remédios, e a ferramenta nunca vê nenhuma das duas. Ela monta o mapa do problema em segundos; não garante que o mapa está certo.

Posição de design clínico A entrada é a parte mais frágil desta tarefa, e é a única parte que a IA não pode tocar. Por isso o card investe onde o ganho é real, na conferência dirigida, e não em automatizar a coleta.
02 · Onde ela falha aqui
Fabricação

A mudança que ninguém pediu, dita em tom de rotina: uma dose "otimizada", um fármaco "adicionado para proteção". Plausível por construção, e por isso invisível na leitura corrida.

Omissão

A interação nova que importava simplesmente não aparece. Numa lista de dez itens, o que falta não deixa buraco visível.

Deferência

Aceita a lista que você colou, mesmo com uma dose impossível dentro, sem estranhar nada. Erro de digitação seu volta validado, com autoridade nova.

03 · O workflow mais seguro
01A lista antes da ferramenta.Entrevista e sacola de remédios. Cada item com dose e frequência, idade e função renal, zero identificadores.
02Tarefa fechada.Interações novas da mudança, ajustes por função renal, duplicidades e divergências entre as listas.
03Ausência declarada."Liste o que não conseguir confirmar", e "não avaliado" explícito para o que você não informou.
04Iniciativa proibida.Sinalize problemas, não os corrija. Nenhuma dose alterada, nenhum fármaco novo.
05Verificação dirigida, nos dois sentidos.Cada dose e cada interação apontada, conferida em fonte independente. E a conferência inversa: nada entrou na lista final que não estava prescrito. A decisão e a assinatura são suas, com o registro conforme a norma da sua jurisdição.
Console · interativo 01

O mesmo caso, perguntado de dois jeitos

No específico, toque numa restrição destacada do prompt e veja o pedaço da resposta que ela comprou.

Você

faz a reconciliação medicamentosa: apixabana 5, metformina 850, losartana 100, sinvastatina 40, omeprazol 20. alta com amiodarona.

Resposta do modelo

Os medicamentos estão adequados e podem ser mantidos. A amiodarona é um antiarrítmico eficaz para fibrilação atrial. Não há interações significativas entre os fármacos listados. Manter acompanhamento de rotina.

Confiante, genérica e errada por omissão. Nenhum aviso de incerteza; o paciente aqui é o médio.

Você

Aja como farmacêutico clínico. Mulher, , FA, . Uso domiciliar: apixabana 5 mg 12/12h, metformina 850 mg 12/12h, losartana 100 mg/dia, sinvastatina 40 mg/noite, omeprazol 20 mg/dia. A alta . Tarefas: interações novas; ajustes por função renal; . .

Resposta do modelo

Amiodarona × sinvastatina: risco de miopatia. Sinalizo para revisão da dose de sinvastatina com o prescritor.

Metformina com TFG 38: dose frequentemente reduzida nessa faixa. Reavaliar contra a diretriz local antes de manter 850 mg 12/12h.

Apixabana: conferir os critérios de ajuste (idade, peso, creatinina) antes de manter 5 mg 12/12h.

Não consigo confirmar: creatinina recente, peso, potássio. Não avaliado: alergias.

Nenhuma dose foi alterada; nenhum fármaco novo foi proposto.

Cada restrição comprou um pedaço da resposta. O prompt é a metade do controle; a outra metade continua sendo a verificação.

Console · interativo 02

A resposta que chegou em 2,1 segundos

Fim de tarde, a paciente esperando a lista para ir embora. Três itens têm erro plantado; os outros estão corretos. Toque em cada item que você desconfia: o trecho correspondente acende na conversa ao lado.

CASO SINTÉTICO · SAÍDA DE MODELO REPRODUZIDA
Você
faz a reconciliação: apixabana 5 12/12h, metformina 850 12/12h, losartana 100, sinvastatina 40 noite, omeprazol 20. alta com amiodarona 200. rápido que ela já tá de alta
Resposta do modelo · 2,1 s
Segue a lista conciliada para a alta:

1. Omeprazol 20 mg/dia: manter.
2. Sinvastatina: aumentar para 80 mg/noite para otimizar o LDL.
3. Metformina 850 mg 12/12h: manter, sem ajustes necessários.
4. Losartana 100 mg/dia: manter.
5. Iniciar AAS 100 mg/dia como proteção cardiovascular adicional.
6. Apixabana 5 mg 12/12h: manter.

Lista pronta para alta. Bom plantão!

Tom de rotina, seis itens, nenhuma incerteza sinalizada.

6 itens · conferência item a item ANTES DE ASSINAR
Correto no original. Desconfiar de tudo cansa e não é o objetivo: calibrar é saber onde o custo de errar é alto.
Ninguém pediu mudança de estatina. E com amiodarona entrando, 80 mg é exatamente a dose que não se usa. Fabricação com cara de otimização, e a regra da iniciativa proibida a teria transformado em bandeira vermelha antes de qualquer farmacologia.
Com TFG 38, "sem ajustes necessários" é afirmação forte e provavelmente errada. A omissão veio disfarçada de conclusão, que é a forma mais perigosa dela.
Correto, e fiel à lista original. Item limpo.
Não estava prescrito e soma risco de sangramento com a apixabana. Item inteiro inventado, com cara de conduta: é o que o passo "nada entrou que não estava prescrito" existe para pegar.
Correto quanto à dose. E repare no que a resposta não menciona: os critérios de ajuste da apixabana nesta paciente merecem conferência sua.

3 erros plantados · 0 encontrados

E o que não tem item para clicar. A interação amiodarona × sinvastatina era a que importava nesta alta, e não aparece em lugar nenhum da resposta. Omissão de verdade não deixa nem linha: é por isso que a verificação é dirigida por lista fixa, e não pela leitura do que o modelo escreveu.
06 · Verificação mínima antes do uso clínico

0 de 6

6 de 6. Agora é conduta, não fé.

07 · Template copiável
Aja como farmacêutico clínico.
Paciente: [idade], [sexo], [função renal: TFG], [condições relevantes].
Medicamentos em uso: [lista com dose e frequência].
Mudança: [o que entra ou sai].
Tarefas: 1) interações novas; 2) ajustes por função renal e idade; 3) duplicidades e divergências; 4) liste o que não conseguir confirmar, e marque "não avaliado" o que eu não informei.
Regras: sinalize problemas, não os corrija; não proponha alterações de dose nem fármacos novos; não invente doses nem valores de referência; não inclua identificadores do paciente.
copiado
08 · Evidência

Na agregação de 39 benchmarks, o desempenho dos modelos em avaliação de segurança ficou em 40 a 50%, a faixa mais baixa entre todas as tarefas medidas1, e segurança medicamentosa é exatamente esse território. O gap entre prova e prática clínica real completa o quadro2.

  1. [revisão sistemática] Knowledge-Practice Performance Gap in Clinical Large Language Models: Systematic Review of 39 Benchmarks. J Med Internet Res. 2025;27:e84120. PROSPERO CRD420251139729. DOI a confirmar antes da publicação
  2. [artigo] BRIDGE: benchmarking large language models for understanding real-world clinical practice texts. Nat Biomed Eng. 2026. doi.org/10.1038/s41551-026-01719-2
  3. [artigo] Asgari E, et al. A framework to assess clinical safety and hallucination rates of LLMs for medical text summarisation. npj Digit Med. 2025;8:274. doi.org/10.1038/s41746-025-01670-7

Para ir além · Sharma M, et al. Towards Understanding Sycophancy in Language Models. ICLR 2024. arxiv.org/abs/2310.13548 · por que o modelo aceita a lista que você colou sem estranhar: concordar é o caminho de menor resistência.

Conteúdo educacional; caso e listas sintéticos. Não substitui julgamento clínico nem a norma da sua jurisdição. Revisado em ago/2026.